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Tudo começou com a junção de vontades da metade da turma de formandos da escola INDAC. Pois no último semestre sempre se divide a turma no meio para ter um melhor aproveitamento de todos.
Éramos, 14. 14/2=7. Um foi embora, ficamos 6. Outro chegou para nos resgatar voltamos aos 7.
Somam-se mais 1, que veio para nos direcionar para a luz, e ainda mais 1, para nos dar uma assistência e uma mão na roda!
PRONTO! Feita a confusão, vendo aquelas pessoas, aquele mar de dúvidas, se fico se vou, vimos que todos queriam retratar tudo isso, em uma peça que falasse por nós, nossas questões, esperanças, inseguranças, e chegamos à duas:
ESPERANDO GODOT e AS TRÊS IRMÃS
Percebemos o que já estava diante de nossos olhos: como as duas peças cabem perfeitamente uma na outra.
Esse projeto busca a encenação do formato da peça ESPERANDO GODOT, de Samuel Beckett, com o texto das TRÊS IRMÃS, de Anton Tchekhov.
Assim, chegamos ao denominador comum: ESPERANDO MOSCOU, livre adaptação de Renato Andrade, nosso diretor.
Sobre o pânico do qual o homem é possuído no momento em que se pergunta o sentido de sobreviver, esperando um amanhã obscuro e carente de perspectivas” Vito Pandolfi
Estréia no próximo dia 15 de janeiro “Esperando Moscou”, dirigida por Renato Andrade e composta pela 48ª turma de formandos da escola de atores Indac. Com entrada franca, a peça é uma livre adaptação da obra realista "As Três Irmãs" de Anton Tchecov e é encenada sob a ótica do teatro do absurdo.
A principal referência para a nova estética e linguagem do drama foi a comédia existencialista "Esperando Godot" de Samuel Beckett, um dos percussores do teatro do absurdo. As semelhanças entre as obras se tornam evidentes. Nelas, o questionamento sobre o sentido da vida, a ausência de perspectivas e a ânsia por algo que está para acontecer, mas que nunca se concretiza.
No enredo, as três irmãs Olga (Karina Yanata Hirosse ), professora e mãe substituta, Macha (Giuliana Cerchiari), pianista casada e desiludida, e Irina (Christianne Hellmeister), jovem idealista, vivem em uma cidade provinciana cuja estação de trem mais próxima se localiza a vinte léguas da propriedade onde moram. Sofrem pela impossibilidade de mudar. E por essa razão anseiam por Moscou, cidade natal da família. Acreditam que só a volta para esse lugar, poderá salvá-las da vida sem esperanças e sem perspectivas que levam. A trama gira em torno dessa espera, desse sonho ilusório.
O “remix” entre as duas obras surgiu da necessidade de desenvolver um espetáculo que fugisse da ótica realista, da vontade de escapar de uma estrutura usual e seguir outra, mais neutra dos gêneros literários. Ao vasculhar a obra de Samuel Beckett, percebe-se que seus personagens parecem jogados num mundo desastroso e no qual a existência da humanidade está em questão. Em sua obra mais encenada, Vladimir e Estragon aguardam a chegada do emblemático Godot. Nada acontece, apenas fica a expectativa de algo novo. Esta espera também está presente em “As Três Irmãs” de Anton Tchekhov, obra que versa um hino fúnebre à imobilidade da vida, uma investigação profunda da existência e seu sentido, seu não-sentido.
Sobre o diretor
O diretor e dramaturgo paulistano Renato Andrade, é também docente da escola de atores Indac e responsável pela montagem de formatura dos jovens atores. Seus trabalhos são marcados pela reinterpretação de obras. O chamado “remix” é fundamental para se entender a cultura moderna. Versões de obras se multiplicam na internet e, de Tarantino a Lady Gaga, se almeja reciclar com estilo. Músicas, filmes, livros, clipes, pinturas, software, tudo pode ser remixado. Em “Esperando Moscou”, o diretor segue este jogo e mescla duas obras clássicas, mantendo o desafio de sintetizar o objetivo das obras, sem adicionar uma única palavra ao texto original de Anton Tchecov. Em #caixapreta, Andrade levou o conceito às últimas conseqüências, mesclando quarenta autores numa colcha de retalhos absolutamente coerente. O público contribuía na mixagem, escolhendo 21 das 35 cenas possíveis ao espetáculo. Construir coerência a partir de retalhos é o segredo do sucesso de sua peça mais conhecida, Retratos & Canções. Todos as falas dos personagens foram tiradas de centenas de letras da música brasileira, de Odair José a Caetano Veloso, de Legião Urbana a Ney Matogrosso. É o efeito do remix em ação, aquele “já ouvi isso antes, mas de outro jeito.”
Sobre o Indac
A escola de atores Indac completa em 2011, 30 anos de ensino e pesquisa teatral. Desde o início, quando foi fundada sob a supervisão de Antunes Filho, o Indac segue a tradição de ensinar e formar atores mantendo o espírito de pesquisa e de aprofundamento artístico. O trabalho tem um duplo objetivo: desenvolver a técnica do ator e sua criatividade pessoal. O espaço dedicado para a pesquisa e a auto descoberta é essencial, mas com o domínio técnico necessário. Durante três anos, e com aulas diárias, a escola investe na imersão teatral e é considerada uma das principais escolas profissionalizantes de teatro do país.
ESPERANDO MOSCOU
Drama - No interior da Rússia, três Irmãs anseiam desesperadamente em voltar para a cidade natal da família: Moscou.
De 15 de janeiro a 06 de março de 2011
Sábados às 21:30h e domingos às 18h
Teatro do Indac: Praça Américo Jacomino, 63 (ao lado do Metrô Vila Madalena)
Ingressos: Entrada gratuita
Duração: 55 minutos
Tel.: (11) 3862 0947 end_of_the_skype_highlighting
Dramaturgia: Renato Andrade, a partir do clássico "As Três Irmãs" de Anton Tchecov
Elenco: Carla Vazquez, Christiane Hellmeister, Fernando Oliveira, Giuliana Cerchiari, Karina Yanata Hirosse, Lucas Pchara e Paula Martins .
Direção: Renato Andrade
Assistência: Gislene Ribeiro
Iluminação: Milena Gasparetti
Figurinos: Beto Souza
Fotos: Giuliana Cerchiari/ Thais Costella/ Paulo Cuenca
Trecho sobre Esperando Godot que cabe perfeitamente na trama de As Três Irmãs, pois é uma situação em comum nas duas peças:
"Sem o outro, isolados, elas estariam no vazio absoluto. Assim, procuram vencer o isolamento em que vivem. São reduzidas a uma habilidade: falar. Mas é um falar cuspido, que não cessa. Não pode cessar. Mesmo que não haja significado, isso não se torna um problema. O tema da incomunicabilidade entre os homens é bastante explícito na peça (ver tópico sobre a Linguagem). Nesse caminho, também não importa o que fazem, mas que enganem de maneira provisória e superficial, o sentimento de abandono, se ocupam de pequenas distrações. É preciso preencher o tempo."
Fonte: https://www.jorwiki.usp.br/gdmat07/index.php/Esperando_Godot
Em 2010 completam-se 150 anos do nascimento de Anton Tchekhov (1860-1904), um dos mais importantes e revolucionários escritores russos do século XIX. Precursor do teatro e da literatura contemporânea, Tchekhov ousou ao retratar os seres humanos comuns – contraditórios, falíveis –, imersos na trama cotidiana, entrecortada e imponderável da vida. Rompeu com os paradigmas da dramaturgia ao trazer o conflito dramático do exterior para o interior das personagens, permeando os diálogos de intenções veladas que demandariam uma nova forma de interpretação. Com sua escrita precisa, transfigurou o trivial em poético e tocou com sutileza e humor nas questões mais difíceis e perenes da existência. Não quis apontar respostas, nem limitar o olhar do leitor/espectador. Seus silêncios, reticências e perguntas continuam a nos instigar e a estimular a criação artística.
Fonte: https://poeticadohumano.blogspot.com/2010/05/tchekhov-150-anos_09.html
Escrita em uma época de profundas transformações na sociedade russa, a peça desperta reflexões sobre a temática do trabalho e a busca das personagens pela felicidade. "Onde reside a felicidade? Essa é a pergunta que as personagens tentam responder durante discussões filosóficas, traições matrimoniais, festas e canções que movimentam a ação dramática. O conjunto de reflexões sociopolíticas e a crítica à aristocracia são vivenciadas pelas personagens que as revelam com a simplicidade de ações do cotidiano".
Fonte: https://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=742276
O universo de Beckett é um universo mítico, povoado por criaturas solitárias, que lutam em vão para expressar aquilo que é inexprimível. As personagens se encontram em um pavoroso sonho vazio, condicionadas a um esmagador sentimento de impotência. É o medo da solidão que as mantêm unidas, quer dizer, o contato humano, mesmo que incipiente e passageiro, é algo em que se pode apoiar, que pode esboçar uma vida.
"A mesma diferença separa a tragédia da comédia: esta quer fazer a mímese de homens piores que os de agora; aquela, de melhores."
(Aritóteles, Capítulo 3 da Poética.)
Beckett inverte essa idéia ao trazer para o âmbito cômico temas pesados e profundos antes tidos como inacessíveis a ele. O professor Fábio de Souza Andrade porém defende a idéia de uma comitragédia: “No tragicômico tudo está cinzento, mas no fim o céu se abre. Mas em Beckett acontece o contrário: tudo parece leve, a gente ri das trapalhadas dos personagens, mas no fim percebemos que a luz não chega.”
A ação do texto é, irônicamente, a espera. Martin Esslin conclui que “Esperando Godot não conta uma historia, mas explora uma situação estática”.
Fonte: https://www.jorwiki.usp.br/gdmat07/index.php/Esperando_Godot
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